Nestes tempos em que a IA é tida como a
“salvadora” de parte de uma humanidade cada vez mais acomodada e zumbificada pelas redes sociais,
que resume o seu conhecimento em vídeos e postagens de cunho duvidoso, que não
duram mais que três minutos, andar por aí sentindo os cheiros, tendo contato com as pessoas e ruas, a
energia emanada pela cidade e pelo campo se torna um prazer que remonta à nossa
necessidade sensorial, que vem sendo cada vez mais deixada de lado em meio a
essa loucura do tempo real e imediato. Temo pelo futuro da sociedade que, aos poucos, vem novamente sendo empurrada de volta à ignorância e à superstição.
Nesse sentido, o trabalho de campo se torna cada vez mais prazeroso, não só por sair da mesmice de um mundo cada vez mais pasteurizado e digital, mas também pela(s) visita(s) a locais que remontam a períodos em que a vida era mais tranquila e limpa, e não tão dinâmica quanto a atualidade. Dito isso, a “descoberta” de uma chácara ainda existente na Avenida Cristiano Machado, e publicada no livro “Arraial de Bello Horizonte”, publicado no formato digital (gratuito) e físico no ano de 2019, sempre nos lembra que, antes das vias arteriais e rios canalizados, predominavam na região pastos, plantações, estradas de terra e a harmoniosa convivência entre a existência humana e os elementos naturais
A existência, uso comercial da edificação e preservação de reminiscências como a chácara aqui publicada, uma das últimas ainda existentes dentro do município de Belo Horizonte, chamam a atenção do observador mais atento, que louva e clama a sua plena preservação, sentinela centenária (e talvez a única) ainda existente na porção média da bacia hidrográfica da Pampulha/Onça.






















