Inauguração da Rodovia Fernão Dias (BR-381), 1959.
Acervo do Autor


"O asfalto, presente nas políticas municipais desde a década de 1920, tomou uma conotação modernizante na gestão municipal de JK, passando a ser empregado em larga escala pelas administrações seguintes. Na gestão de Mello de Azevedo ele passou a ser vendido não somente como um agente modernista, mas também como um elemento embelezador da paisagem urbana encontrando no automóvel, símbolo do progresso, de status e de distinção social o seu par, tudo muito bem assimilado pelas sociedades urbanas brasileiras. A força de tal argumento se encontra presente até a atualidade em nossa sociedade, na qual o veículo individual movido a combustível ainda é visto como um objeto que propicia conforto, liberdade e abundância, ainda que sua função seja apenas para locomoção e erroneamente atribuída a ele um valor além da sua finalidade de uso." (Borsagli, 2017, p.196).

Acervo do Autor

      Caraterísticos dos primeiros anos da nova capital de Minas Gerais, os postais procuravam vender uma capital moderna e bela, uma pérola em meio às tortuosas cidades nascidas ao longo dos caminhos das bandeiras e das boiadas.
      O geométrico bairro comercial e os seus edifícios ecléticos figuram em quase todos os postais do período, no qual se destaca a imagem acima, feita a partir da Rua Varginha, de ares rurais e integrante de um dos bairros mais populosos do período. 
    Destaque para a zona planejada e a Rua Rio de Janeiro, interrompida na altura da Rua dos Guaicurus, em um momento em que a Avenida do Contorno se encontrava praticamente em projeto, com pequenos fragmentos ao longo da zona planejada. E as belas montanhas curralenses a moldar o planejado.
      






Vista parcial da cidade de Belo Horizonte, 1906.
Acervo do Autor/Curral del Rey


      Alinhada com as primeiras postagens do blog, que em abril completa oito anos no ar, publico hoje uma imagem do meu acervo pessoal que remete ao ano de 1906, apresentada em um dos inúmeros postais produzidos nos primeiros anos da nova capital de Minas, com o intuito de difundir a moderníssima urbe no estrangeiro, buscando atrair imigrantes para uma capital de cerca de 20.000 habitantes, vazia e moderna, de ares interioranos.
     A imagem, feita do Alto da Estação (Rua Sapucaí), mostra em primeiro plano o armazém de cargas da Central do Brasil, atualmente utilizado como estação pela E.F. Vitória-Minas, e à direita alguns dos hotéis construídos a partir da demanda ferroviária, porta de entrada da capital. 
      À esquerda é possível visualizar o edifício dos Correios, em fase final de construção e a Igreja de São José. Ao fundo parte do bairro comercial e mais adiante o alinhamento montanhoso das vertentes dos córregos do Leitão e a Serra da Contagem.
     Uma imagem que remete a uma paisagem atualmente inimaginável, para uma capital nova e rapidamente metamorfoseada em metrópole vertical e impermeável.  

Rios Invisíveis da Metrópole Mineira

gif maker Córrego do Acaba Mundo 1928/APM - By Belisa Murta/Micrópolis