Acervo do Autor

      Caraterísticos dos primeiros anos da nova capital de Minas Gerais, os postais procuravam vender uma capital moderna e bela, uma pérola em meio às tortuosas cidades nascidas ao longo dos caminhos das bandeiras e das boiadas.
      O geométrico bairro comercial e os seus edifícios ecléticos figuram em quase todos os postais do período, no qual se destaca a imagem acima, feita a partir da Rua Varginha, de ares rurais e integrante de um dos bairros mais populosos do período. 
    Destaque para a zona planejada e a Rua Rio de Janeiro, interrompida na altura da Rua dos Guaicurus, em um momento em que a Avenida do Contorno se encontrava praticamente em projeto, com pequenos fragmentos ao longo da zona planejada. E as belas montanhas curralenses a moldar o planejado.
      






Vista parcial da cidade de Belo Horizonte, 1906.
Acervo do Autor/Curral del Rey


      Alinhada com as primeiras postagens do blog, que em abril completa oito anos no ar, publico hoje uma imagem do meu acervo pessoal que remete ao ano de 1906, apresentada em um dos inúmeros postais produzidos nos primeiros anos da nova capital de Minas, com o intuito de difundir a moderníssima urbe no estrangeiro, buscando atrair imigrantes para uma capital de cerca de 20.000 habitantes, vazia e moderna, de ares interioranos.
     A imagem, feita do Alto da Estação (Rua Sapucaí), mostra em primeiro plano o armazém de cargas da Central do Brasil, atualmente utilizado como estação pela E.F. Vitória-Minas, e à direita alguns dos hotéis construídos a partir da demanda ferroviária, porta de entrada da capital. 
      À esquerda é possível visualizar o edifício dos Correios, em fase final de construção e a Igreja de São José. Ao fundo parte do bairro comercial e mais adiante o alinhamento montanhoso das vertentes dos córregos do Leitão e a Serra da Contagem.
     Uma imagem que remete a uma paisagem atualmente inimaginável, para uma capital nova e rapidamente metamorfoseada em metrópole vertical e impermeável.  

Está a venda o livro "Sob a sombra do Curral del Rey", dividido em dois volumes que buscam contribuir para a história de Belo Horizonte. #bh120anos

Volume 01: Link para compra

Volume 02: Link para compra

Resguardada pelas serras do Curral e da Onça, o bucólico Curral del Rey, em seus quase dois séculos de existência, não imaginava que o destino reservaria a ele a glória de liderar o resplandecente estado de Minas Gerais. Uma glória convertida no arrasamento do arraial que deu lugar ao vanguardista plano republicano de edificar a sua capital, racional e geométrica.

Belo Horizonte, nascida e crescida sob a sombra curralense, rapidamente extrapolou os seus limites físicos, se perdendo em meio aos escombros de uma cidade diversas vezes reinventada pelos utopismos visionários e pela força do capital, responsáveis por perdas preciosas e muitas vezes irreversíveis para a pérola das gerais.

Nos cento e vinte anos de inauguração de uma capital vazia e em obras, o presente livro procura lançar luzes sobre as paisagens, aspectos e particularidades metamorfoseadas ou desaparecidas em meio à metrópole mineira, bela e impermeável, moderna e desidratada, buscando desde sempre contribuir para a história da urbe horizontina. 

Lançamento dia 09/12/2017 as 15:00 no Museu das Minas e Metal #bh120anos
Os livros se encontram à venda nos links abaixo:

Volume 01: 452 páginas (colorido) formato 14x21 impresso em papel couché LINK

Volume 02: 220 páginas (colorido) formato 14x21 impresso em papel couché LINK


Avenida Antônio Carlos em frente ao Conjunto IAPI.
Acervo Estado de Minas


Avenida Amazonas
Acervo Estado de Minas


Não é necessário dizer que a situação é praticamente 
mesma na atualidade...
Fonte: Omnibus/FJP

Caixa d'água do Palácio, 1929. Acervo MHAB


     Muitos conhecem o edifício acima, uma pequena e bela casa que abriga o Servas, localizado ao lado do Palácio da Liberdade. No entanto, nem imaginam que o belo prédio fora construído pela Comissão Construtora da nova Capital (CCNC) para o armazenamento do precioso liquido que abasteceria a nova capital de Minas.

     Não é novidade para ninguém a eterna crise no abastecimento de Belo Horizonte, os antigos certamente se lembrarão de um período onde grande parte da cidade passava sede e consumia água dos caminhões-pipa, dos cursos d'água e dos reservatórios construídos nas casas suburbanas fora da Avenida do Contorno, enquanto a população "centro-sulina", ou pelo menos uma boa parte dela, hidratava seus passeios e piscinas, sem se preocupar com uma cidade que já nasceu sob a égide segregacionista, acentuado ao longo do processo de desenvolvimento da capital, onde o individualismo acabou por se sobressair sobre a coletividade/solidariedade reinante até a consolidação dos valores urbano/industriais do século XIX.

     A caixa d'água do Palácio fora inaugurada no ano de 1897 e era abastecida pelo manancial do Cercadinho, ao mesmo tempo em que se inaugurava a caixa d'água do Cruzeiro, abastecida pelo córrego da Serra, ainda existente. Marcas de um tempo em que a preocupação em hidratar o seu povo se resumia a Avenida do Contorno, fora dela os reservatórios chegariam trinta anos mais tarde.

Rios Invisíveis da Metrópole Mineira

gif maker Córrego do Acaba Mundo 1928/APM - By Belisa Murta/Micrópolis